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Em memória ao Beto Gourgel: Passados 16 anos e tudo continua o mesmo

O falecido cantor, humorista e compositor angolano Roberto do Amaral Gourgel ou simplesmente Beto Gourgel “Nganjeta”, como era conhecido, mostrou, em 2005, o seu descontentamento com o rumo tomado pelo país que tanto lutou, através da música, para ver livre das mãos do opressor colonizador português

Em memória ao Beto Gourgel: Passados 16 anos e tudo continua o mesmo

Passados 16 anos desde a manifestação desse descontentamento, as coisas continuam sendo as mesmas sem quase nenhum sinal de melhoria para o povo angolano.

 

Na altura, em entrevista ao documentário Angola História da Música, lançado em 2005, o já falecido cantor falou que a independência que tanto se esperava não trouxe mudanças para o povo e que se as pessoas lutassem seria contra aqueles que um dia apoiaram.


"A gente no passado cantou contra o colono, para que o nosso país fosse independente. Hoje somos independentes. Mas as coisas não mudaram. Ainda temos muita população necessitada, com muita pobreza, corrupção, injustiças, etc. Mas se nós cantarmos sobre isso hoje, vamos cantar contra quem? Vamos cantar, contra aqueles que apoiamos à alguns anos atrás, na época colonial", lamentou Beto Gourgel.


O preocupante nesta história é o facto de que 16 anos depois, o povo angolano continua vivendo os mesmos problemas de corrupção, miséria e injustiças.

 

Beto Gourgel foi cantor, compositor, humorista e cronista. Faleceu em Janeiro de 2006, vítima de doença. À data de sua morte, Beto Gourgel era cronista do Jornal de Angola, foi ainda funcionário do ministério da Cultura e do semanário “Correio da Semana”, além de animador, com Manuel Dionísio, do programa Bom dia, bom dia da rádio Luanda Antena Comercial (LAC).