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NAMIBE DIZ “PEIXE SIM, PETRÓLEO FICA PARA PRÓXIMAS GERAÇÕES”

A população de Namibe e as autoridades locais (e a nível central) vivem um dilema centrado na exploração de petróleo vs exploração pesqueira.

NAMIBE DIZ “PEIXE SIM, PETRÓLEO FICA PARA PRÓXIMAS GERAÇÕES”

Em razão desse dilema, assistiu-se no passado sábado (30/01/21) uma manifestação pacífica com o lema "Peixe sim, petróleo não" realizada por um grupo de jovens de distintas camadas da população do Namibe, que se posicionam contra a exploração de petróleo naquela província.

Tem sido recorrente, em várias partes do mundo, grupos organizados a protestarem a forma como se tem explorado os recursos que a natureza oferece, que na maior parte das vezes acelera a degradação do meio ambiente, colocando em perigo a sustentabilidade das gerações futuras.

Diante desta situação, é fundamental que países como Angola comecem a apostar em programas que visam a implementação e desenvolvimento de uma economia azul. O conceito de economia azul faz parte de uma nova abordagem à exploração económica de recursos dos oceanos, rios, lagos e outras massas de água, bem como a conservação dos ecossistemas aquáticos.


Criar um programa que visa o desenvolvimento de economia azul, é de certa forma uma garantia de preservação dos ecossistemas aquáticos e simultaneamente um caminhar rumo ao desenvolvimento sustentável, na medida em que o programa abarca projectos que podem ser implementados tanto pelo sector público como pelo sector privado (observando sempre a preservação ambiental), visando, como é de praxe, a criação de bem-estar das populações.

Angola possui uma grande potencialidade no que diz respeito à Zona Azul, pois conta com uma localização geográfica privilegiada, adjacente a ambiente oceânico altamente produtivo, como é o caso do oceano atlântico, e conta ainda com vários rios e lagos. O desenvolvimento de uma economia azul em Angola, é deveras o caminho a ser percorrido rumo à sustentabilidade na exploração dos recursos aquáticos.

A Estratégia Africana de Economia Azul, desenvolvida em 2019 pelos Estados membros da União Africana, representa um marco bastante importante ao continente no que se refere à adopção de medidas/políticas (por parte dos Estados membros) que visam o desenvolvimento da Economia Azul, estando em concordância com o ODS 14 (Objectivo de Desenvolvimento Sustentável 14).


Numa altura em que o país passa por uma crise motivada pela queda do preço do barril do petróleo (nossa principal commodity) no mercado internacional, e que tem impactado negativamente no desenvolvimento de investimentos públicos, é preciso explorar outras fontes de financiamento para dinamizar os investimentos públicos.


Os projectos de investimentos vocacionados para a Economia Azul têm a vantagem de contar com os Blue Bonds (títulos azuis), que representam uma forma de financiamento de projectos de cariz ambientalista voltados à zona azul.


Nesta conformidade, reitero mais uma vez a importância da criação de um Programa/Plano de Desenvolvimento da Economia Azul com vista a uma exploração sustentável dos recursos aquáticos.

Texto de Moniz João

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